30 outubro, 2008

Te apresento Débora [parte V ]

As horas,os dias,as semanas,os meses,foram se passando. E no decorrer deles,Tadeu e Lucy começaram a namorar serio, Lucas e Débora começavam a sair juntos praticamente todos os dias- ambos se enganavam,dizia que era apenas amizade- mas nunca foi,sempre seria mais do que isso- e Ninguém tinha notícias de Sabrina,que cá entre nós,não fazia falta alguma..
Era o ultimo ano da faculdade de literatura de Débora,o ultimo ano da faculdade de Musica do Lucas.O segundo ano da faculdade de Economia de Eliot.
Tudo ia relativamente bem,era mais um dia de seção para Débora.
Lucas a convidou para jantar,e ela decidiu que não sofreria mais,contaria tudo a ele. Mostraria os exames -que deviam estar melhores- e ele escolheria se ia querer ficar com ela ou não.
Abraçou Tadeu na porta,Abraçou Lucy no corredor. Foi feliz fazer os exames de rotina e tomar seus remédios.
Enquanto aguardava o medico,percebeu que Lucy estava usando um anal dourado na mão. Estava noiva de Tadeu.
-Queremos que você seja a madrinha.
Deu parabéns,mandou chamar Tadeu para lhe parabenizar também.
Por um instante,mal conteve toda a felicidade que sentia. Ia chegar em casa e se arrumar para sair com o amor da sua vida. Ia ser madrinha de seus melhores amigos.
Ia viver,finalmente.

Mas,quem dera tudo fosse simples assim,quem dera as pessoas não precisassem sofrer.
Os resultados mostravam uma piora no estagio de Débora. Lucas a deixou plantada no restaurante e no outro dia deu uma desculpa qualquer pela sua ausência.
-Me chamaram para comparecer no trabalho....
Estava mentindo. Ela sabia. Os olhos dele mentiam,desviavam-se dos dela.
- mas vou te recompensar,você vai ver.

Mais dias se passaram. E a vontade de viver foi brincando de gangorra dentro dela. Teve dia em que queria simplesmente não respirar mais,e teve dias em que tudo o que queria era mais ar.
O ano estava quase no fim. Veio a formatura. A felicidade de ter os diplomas em mãos. Chamaram-na para dar aulas em um colégio de nome. Lucas foi chamado para trabalhar em um estúdio. E Eliot continuava a estudar. Tadeu e Lucy se casaram.Lucy estava grávida de gêmeos.
Certo dia o telefone tocou,e um convite a tanto aguardado surgiu. Era a hora. Tinha que ser, afinal,a vida não poderia ser tão injusta de impedi-la de ser feliz,mesmo que por uma noite.
E enquanto Lucas a beijava e desabotoava os minúsculos botões de sua blusa,ela achou ter certeza de que tudo iria melhorar. Que não importava o que acontecesse a seguir,ia ter forças para seguir em frente.
De manha,enquanto ambos se olhavam com ternura,ela pediu que aquele momento não terminasse. Nada poderia interrompe-los.
Lucas se levantou e Débora foi pro quarto buscar os remédios,se sentia um tanto zonza,talvez pelo vinho da noite passada,ou talvez não. Se lembrou que tinha que contar,mas a campainha tocou.
Estranho o porteiro não ter avisado,mas enfim. Abriu. Era Sabrina.
-Hora,hora,vejo que já se casaram- disse debochada.- uma pena ter que vir aqui roubar ele de você queria-disse olhando para Débora.
Ambos se espantaram com a presença dela ali e perguntaram juntos o que raios ela queria.
-Estou grávida-fez uma pausa e apontou para Lucas- e ele é o pai. É quase certeza.

Era loucura,a tempos que ambos haviam rompido,ela se casado,e ele jurava que nunca mais tinha a visto.
Tudo poderia ter sido ignorado ,ou encarado como mais uma das tramóias de Sabrina,caso ela não tivesse lembrado ambos do dia do jantar de Lucas e Débora,aquele que ele não foi.
-Então,você estava com ela?- perguntou Débora em lagrimas
Desesperado,Lucas tentava se explicar:
-Meu amor,olha bem,foi um erro. Eu nunca ia imaginar...eu,te amo Débora,por favor.
Sabrina ia fazer um exame de DNA no outro dia,e como não conseguia mais falar com Lucas,resolveu procurá-lo no apartamento de Débora. E deu certo. Certo até demais.
Débora se trancou no quarto e só sabia gritar que todos saíssem da sua casa.
Sabrina se enfiou em um carro e foi embora,mas Lucas continuava a pedir que ela o entendesse,que considerasse que eles não estavam juntos,e que ele sempre a amou.
-MENTIRA!!!! EU SEMPRE TE AMEI,EU!!!! SERA QUE VOCÊ NUNCA VIU? SERA QUE É TÃO BURRO E TÃO MAL A PONTO DE BRINCAR ASSIM COM O SENTIMENTOS DOS OUTROS.?! FORA DAQUI! EU QEURO VOCÊ FORA DAQUI.
Débora desmaiou. Lucas chamou Eliot e ambulância,e foi embora assim que ela acordou e começou a gritar novamente que queria ele fora de lá.
Ambos choravam. Como pode a vida ser tão cruel com o amor deles?!
[Continua]

28 outubro, 2008

Te apresento Débora [ parte IV ]

-Olá rainha dos meus dias. Você sumiu ontem,onde foi?
-Lucas! Que bom te ver.-disse Débora enquanto o abraçava,com os olhos cheios de lagrimas.
-Ei,o que foi? O que aconteceu?
-Nada -disse enxugando as lagrimas- é que ...-pensou em lhe contar tudo,desde o amor que sentia ate a doença- ..dormi nos meus pais.
-Ué,e o que tem? Você os adora. Eles são incríveis. Vocês brigaram?
-Não,não. Ahh,esquece ta- disse ela rindo.-deve ser só TPM precoce.
Ele levantou com o indicador o rosto dela,e enxugou carinhosamente uma lagrima que escorria por seu rosto.
- Okay, mas você sabe que se estiver acontecendo algo,pode contar comigo não sabe?!
Ela queria tanto poder dizer,tanto poder gritar que era ELE o homem da sua vida,queria poder compartilhar com ele esses momentos tão difíceis,mais não pode- não é justo com ele – ela pensava. Apenas o abraçou fortemente.
Ele a olhou e lhe deu um beijo na testa quando Sabrina chegou.
-Nossa,eu ate ficaria com ciúmes que ela não tivesse te dado o fora no dia que agente se conheceu gato!
-Dá um tempo Sabrina. Alias,o que você ta fazendo aqui? Que eu saiba,o seu “amado” não estuda aqui.-disse Lucas com um cara de raiva de dar medo a qualquer ser que o encarasse na hora.
-Como assim “amante”? Que historia é essa gente?- disse Débora confusa.
Sabrina separou os dois e tentou beijar Lucas,mas esse a afastou. Desesperada ela se virou para Débora ,fazendo cara de choro e dizendo:
-Você tem que me ajudar,tem que me dizer o que fazer amiga.
O tempo parou. Lucas pegou Sabrina pelo braço e foi a arrastando para fora da faculdade. O segurança fez menção de separá-los,mas Lucas logo gritou:
-INTRUSA. DÁ O FORA. LUGAR DE VAGABUNDA É NA RUA. ACABOU!!!
Débora não entendia nada,mais sabia que o que havia acontecido era serio,pois conhecia Lucas desde o ultimo ano do colégio e nunca o tinha visto assim. As mãos dele tremiam,seu rosto estava vermelho.
Todos entravam para as salas para adiantar os trabalhos e lições. Logo as aulas começariam.
Débora correu para o portão,e conduziu Lucas para a lanchonete,para que ele se acalma-se e lhe contasse o que havia acontecido.

Enquanto tomavam um Milk-shake,ele desabafava a descoberta do caráter falho de Sabrina,e das traições que ela havia cometido.
Débora ouvia,e se perguntava o por quê de ter deixado isso acontecer. De não ter alertado ele sobre sua colega do curso de Frances. Ele não merecia isso. Ela não Havaí ido ao encontro com ele pois não achava justo ele passar por isso,por toda a dor da doença dela,mas,por que não fez nada para impedir que ele caísse nas garras grudentas de Sabrina – a garota mais rodada de todo o mundo-,e se magoasse,e ficasse da forma com que estava agora?!
- Não sei como você pode ser amiga de uma garota assim- disse Lucas revoltado.
Ela olhou para o Milk-shake,teve vontade de dizer- ela não é minha amiga,é só uma conhecida,mais se contentou em responder apenas um vago NEM EU.
E então ele respirou fundo,fez aquela cara encantadora,e o brilho retornou aos olhos castanhos dele. Pegou nas mãos dela e disse carinhosamente:
- mentira,eu sei porque.
Tentando de controlar e não demonstrar os efeitos que ele tinha sobre ela,Débora respondeu,retirando rapidamente as mãos de debaixo das deles:
- Sabe? E por quê então?
- Porque você é incrível,e te o defeito que também é qualidade,de querer ser amiga de todo mundo...-ele parou por um segundo,como se pra avaliar se devia continuar ou não.e então prosseguiu- inclusive de mim.

***

A semana havia chego ao fim. Uma garoa fina caia,e o tempo se encobria.
No sexto andar Débora lia um livro,toda concentrada,quando o interfone tocou.
- Desculpe dona Débora,é que tem uma moça aqui...aquela moça –o porteiro falava se Sabrina com desdém,como se também reprovasse a presença dela na vida de Débora.-deixou subir ou mando embora?
Débora refletiu e no fim resolveu.Era melhor ela descer lá e resolver tudo.
Para seu espanto,Sabrina estava em um carro,com um rapaz,loiro de olhos claros,forte. Tinha cara de quem passa a vida toda em um esteira ou puxando um peso.
Eles entraram na recepção do prédio e se sentaram para conversar.
- Meu prédio esta uma bagunça,a faxineira esta lá..-inventou Débora.
- Tudo bem querida,é uma visita breve,só vim te trazer o convite do meu casamento.
Casamento? Como assim casamento? Há menos de uma semana Sabrina estava na porta da faculdade dela implorando pra voltar com o Lucas e agora ela ia se casar?!
Sabrina começou a contar a historia de como tudo aconteceu. Não para deixar Débora a par do assunto,mais para se mostrar,tentar achar vestígios de inveja nos olhos de Débora. Tudo em vão.
Enquanto eles saiam, Lucas apareceu,e foi inevitável não se trombarem.
-Oh,Lucas querido -disse Sabrina -é tão bom te ver aqui. Me poupa um trabalhão.
A falsidade se fazia presente e bem enfatizada nas frases de Sabrina.
- O que é agora?- disse Lucas o mais grosso possível.
- É o convite do meu casamento -Disse Sabrina piscando e o puxando para perto de si,para poder sussurrar-lhe- Aproveita e leva a sua “paixãozinha” ai.-e saiu.

Lucas e Débora ficaram parados ali,na recepção do prédio,com os convites nas mãos,sem saber o que pensar,o que fazer.
De todas as perguntas que se passavam em suas mentes,uma os atordoava mais: “Como foi que eu deixei minha vida ficar assim? “

[continua ]

27 outubro, 2008

Te apresento a Débora [parte III ]

-Maninha.Bom dia.
Eliot sempre levava o café para Débora quando ela dormia lá.
- Heyy,quem fazia isso era eu mocinho,eu sou a mais velha -disse ela toda sorrisos.
Os dois conversavam,coisas banais,novidades,livros,uma peça nova que estrearia.
-Você chamou ele hoje,como em todas as noites ,Déb.
Ela abaixou os olhos,e se calou. Eliot continuou.
-Você devia contar. Ele tem o direito...
-Direito do que? De estragar a vida dele? De viver uma mentira? De saber que não vai durar?- disse ela em gritos e lagrimas.
- mentira? Mentira é o que ele vive agora,com aquela cobra que se diz sua amiga. Ele te ama...
-Ahh,cale a boca Eliot. Será que toda a vez tem que ser assim? Será que você não pode simplesmente me apoiar?
- Eu te apoio, só não concordo. Seis anos é tempo demais para amar calada. Seis anos é tempo demais para mentir irmã. Se não quer contar sobre seus sentimentos,ao menos devia contar a ele sobre o ....
-NÃO! CHEGA!-disse Débora- não preciso da dó dele. Não preciso que ninguém mais se preocupe.
Ela se levantou,pegou as coisas da faculdade.
Abraçou os pais. E se despediu do irmão.
-Cada vez que ela sai por essa porta,me da a sensação de que ela não vai mais voltar-disse a mãe segurando as lagrimas e se escondendo no abraço do marido.-Eu sei. Também sinto isso.-Disse Eliot no topo da escada,contendo as lagrimas.

[Continua ]